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São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil                                Quarta-feira, 8 de setembro de 2010


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Artigo
NÃO SEPARAR O QUE DEUS JUNTOU: CASAMENTO CÁRMICO E CURA
Abrame, sexta-feira, 16 de outubro de 2009

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Kardec, no capítulo XXII do Evangelho Segundo o Espiritismo, referiu-se ao divórcio como uma lei para separar legalmente o que já está, de fato, separado, ou seja, aqueles uniões feitas por interesses financeiros ou articulada pelos pais, onde o amor não está presente. Contudo como interpretarmos o divórcio à luz da sociedade atual, onde as pessoas se unem voluntariamente e não por imposição dos pais ou da sociedade, como no passado? Como lidarmos com casamentos cármicos que, de uma atração inicial, converteu-se num campo de batalha? O divorcia seria a melhor solução? Segundo a doutrina espírita, o nosso espírito não tem sexo, é potencialmente masculino e feminino, por isso que, um mesmo espírito que reencarna homem numa existência pode vir a ser mulher na outra. O homem encarnado, possui uma polaridade sexual materialmente expressa (masculina), enquanto a outra (feminina) está implícita, necessitando de uma companheira do sexo oposto para complementar-se no mundo físico. Essa complementação sexual, segundo a psicologia junguiana, não se refere apenas à polaridade masculino-feminino, mas a todas as outras polaridades. Segundo Jung, nós atraímos a nossa própria sombra. Pessoas, por exemplo, muito “boazinhas”que são amorosas mas têm dificuldades de serem firmes e enérgicas quando necessário, atraem pessoas agressivas que são firmes mas não conseguem ainda expressar totalmente seu amor. Um expressa a sombra do outro. Todo agressivo é uma pessoa amorosa por dentro (mas que não tem coragem para expressar sua afetividade) e toda pessoas externamente “boazinha” é firme internamente. A reeducação através do casamento consiste justamente de, cada uma delas atingir um ponto de equilíbrio dinâmico entre o amor e o poder, entre a firmeza e a doçura. Essa é a mágica do casamento: homens e mulheres, agressivos e doces, dependentes e independentes, racionais e emocionais, responsáveis e aventureiros, se atraem mutuamente para aprenderem com as diferenças. Sem o percebermos o companheiro que escolhemos para o casamento nos complementa e nos reeduca não só com suas virtudes mas principalmente com aquilo que consideramos “defeitos” e que, nada mais são do que nossa sombra, do que um aspecto de nossa alma que negamos. O outro é o espelho da nossa alma, a expressão personificada de nossa própria sombra e vice-versa. Quando Jesus nos diz que o homem e a mulher serão uma só carne, ele está dizendo em outras palavras, que os dois corpos serão um só espírito, ou seja, o que falta em um é complementado em outro. Através do casamento resgatamos a união com o nosso próprio espírito pois expressamos materialmente na “unidade do casal” a completude que já existe em nossa essência espiritual. Portanto, quando aceitamos e perdoamos o nosso parceiro, estamos aceitando e perdoando a uma parte de nós mesmos. Quando nos apaixonamos por alguém estamos admirando virtudes e potenciais que já existem essencialmente em nós e que, por não estarem completamente desenvolvidas, projetamos no outro. O “grande amor da nossa vida” não está, portanto, do lado de fora mas em nós mesmos. Como nos diz o filósofo espiritualista Robert Happé, todos os relacionamentos que temos com o próximo, nossos pais, filhos, amigos e cônjuge, expressam apenas um único relacionamento: O que temos com nós mesmos. Jesus nos assevera que, aquele que repudiar, a sua mulher e se casar com outra, já cometeu adultério em relação à primeira (S. Mateus, cap. XIX, vv. 3 a 9), ou seja, perdeu a oportunidade de crescer com o outro através do casamento e, atrairá, em outra parceira, a mesma negatividade que possuía a primeira. Assim, a negatividade que precisa ser curada, não está no outro, mas em nós mesmos, e dela só nos libertaremos através do perdão e da tolerância. Perdoar e aceitar o nosso cônjuge é, portanto, perdoar e aceitar a nós mesmo. Abandonar o nosso cônjuge é, em última análise, fugirmos de nós mesmos. Não separe, pois, o homem o que Deus juntou (S. Mateus, cap. XIX, vv. 3 a 9), significa que, salvo as exceções óbvias como agressões físicas ou infidelidade, não podemos permitir que o nosso ego (homem) separe aquilo que a Providência Divina (Deus) uniu através do casamento para nossa própria cura e crescimento. Quanto mais difícil é para nós o nosso parceiro, maiores as nossas oportunidades de crescimento através da aceitação e do perdão, pois estaremos curando um maior número de nossas próprias negatividades num intervalo menor de tempo. Aquilo que chamamos de “casamento de resgate” ou “casamento cármico”, nada mais é que um curso intensivo de crescimento rumo à felicidade e completude que a todos nos aguarda
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Comentários
15/2/2010 11:11:34 - Mário
Permita-me discordar mas um casamento cármico, não é inevitável, não é uma fatalidade.Falo por experiência propria, não foi Deus que juntou o casal mas o próprio casal porque infringiu as leis divinas do amor( ex: relacionamento erótico onde não havia amor numa outra existência, desafectos, traições antigas,etc). Basta que uma das partes reconheça a razão pela qual levou àquele infeliz casamento e proceder a uma reforma interior(ex: perdoar a si ou ao outro) e automáticamente deixa de estar ligado ao outro. Não precisa de pedir permissão ao outro independemente dele perdoar ou não para que isto ocorra e não precisa de viver um inferno até ao fim dos seus dias. Deus não quer isso apenas pretende que a pessoa "remova" do seu intimo a causa que levou à triste união. Após este passo passa para uma nova fase da espiritualidade onde encontrará o par que o levará ao casamento espiritual planeado por Deus e que também permite a purificação pois nele deixamos de pensar em nós mas apenas no outro: o verdadeiro casamento onde existem laços de amor e que se prolongam por toda a eternidade. Será este casamento que permitirá ao individuo aceder ao amor universal e incondicional. Este tipo de casamento ainda é raro, pois a humanidade ainda está num estádio espiritual evolutivo muito baixo,mas é possivel.

15/2/2010 12:11:17 - Mário
Gostaria ainda de acrescentar que hoje em dia há uma enorme confusão sobre o que é amor. Confunde-se amor com paixão, atracção subita, irresistivel e inadiavel geralmente associada a relacionamentos carmicos. No verdadeiro amor o individuo experimenta um sentimento pleno, suave, doce e desinteressado pelo outro. Só o outro é que conta. Portanto não se pode dizer que nos relacionamentos carmicos haja amor, poder-se-a falar antes num pseudo-amor. Dai que a maxima de Jesus "Não separeis os que Deus uniu" só se aplica na realidade aos casos em que há laços de amor pois só estes obedecem às leis divinas pois Deus é Amor!

2/5/2010 23:39:36 - gleice.corumba,m.s.
eu gostei muito,me esclareceu muitas duvidas, agora eu ja posso entender melhor sobre o assunto.obrigado.

3/6/2010 09:13:00 - Natália
Concordo com Mário.Se fosse assim,se pessoas se casassem e estivessem condenadas a não se separar do parceiro cármico,durante esse casamento conflituoso apareceriam ainda mais resgastes que seriam deixados para outra vida e ninguém sairia do lugar!
Não eh pq há resgates que eles não possam ser resolvidos como uma parte dessa vida e não como ela toda.Sempre há escolhas.


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